Então existe aquela fase em que você não tem mais um dia de aniversário, mas todo o resto do calendário repleto de dias de desaniversários.
Desaniversários todo dia.
Como quando o seu adversário da esquerda descarta um dois. (Considerando o rodar não-horário desses dias, que não poderiam seguir o passar normal dos ponteiros)
Um dia de desaniversário é assim: Tudo o que um dois podia fazer na mão daquele que tem a sorte de possuí-lo, é descartado como sobra. Mas para você- reles mortal somente com cartas ímpares- aquele dois é só... um dois. O que você vai fazer com ele? Um jogo dois-três-quatro?
Um desaniversário é assim: quando o mundo te dá tudo aquilo que não serve pra nada. Só serve pro outro. Aquele mesmo que não o quis.
Então existe essa fase... dias de desaniversários atravessados de dois descartados.
Uma semana de desaniversários. Um mês. Dois meses. Dois meses e uma semana: essa é mais ou menos a minha conta.
O chapeleiro me pergunta pra onde vou. Eu vou onde estiver o coelho branco. Ele me pergunta onde ele está. Eu não sei. Não sei. O que sei é que hoje, como ontem e amanhã, é o meu desaniversário. Talvez desaniversário de milhões.
Os dias estão lambuzados de não-aniversários. Têm sido o avesso de bolos com glacê. O inverso de bexigas coloridas. O contrário de crianças correndo. A antítese de presentes com laços que a gente só vê em desenhos animados. Porque ninguém embrulha presentes com laços de fita. Quem é que tem, hoje, algum laço de fita em casa?
Desaniversários, é o que digo. Desaniversários.
Estamos tomando chá com o chapeleiro e o pote de açúcar tem sido a ilha de prazer desse mundo sem lógica. Comemorando o meu desaniversário! Afinal, o que mais fazer senão olhar para o meu reflexo no bule bem polido, pensar o quão eu e o resto da vida somos patéticos, rir disso e beber em consideração à minha bagunça?
Um brinde ao caos.
Joker 3, vivendo o oito de espadas.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
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Um comentário:
comentário triste e finalmente estranho para ser postado as 10 e pouco da manhã...Caos...Chá...
É, talvez, nem tão estranho.
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